ARQUITETO É MAIS RESPEITADO QUE JORNALISTA


*Por Duilio Ferronato


A Lya Luft numa de suas colunas na revista Veja disse que ficou espantada com a grande quantidade de gente que tenta se passar por ela depois que ela começou a escrever para a revista.


Ao mesmo tempo o que mais me espantou depois que comecei a escrever na Folha, há um pouco mais de 3 anos, foi o número de pessoas que me convidam para trabalhar de graça. Talvez seja uma prática normal entre os jornalistas, ou entre os editores. Pagar mal eu já percebi que quase todas as revistas pagam.


Antes de começar a escrever eu tinha uma ideia equivocada de que os jornalistas eram bem pagos e respeitados. Engano meu. É mais ou menos como o trabalho de policial: ganham mal e têm que ficar fazendo bicos para ajudar no salário.


Duas profissões que ainda não entendo como podem ser mal pagas. Se o policial não se dedica inteiramente ao serviço, acaba fazendo burradas quando é exigido. E o jornalista acaba tento que escrever muito, sem ter tempo de refletir e tendo que cumprir uma meta quase industrial.


As revistas normalmente oferecem R$ 200 ou R$ 300 por um artigo de uma página. Isso seria até bom se não fosse preciso pesquisar o assunto e nem fazer entrevistas. Mas normalmente eles pagam isso para uma matéria com muita pesquisa e algumas entrevistas. Coisa que levaria alguns dias para fazer. Valor muito baixo para o tanto de trabalho. Talvez por isso surjam tantas matérias mal apuradas. Pouco dinheiro, resulta em trabalho pela metade.


Mas pagar mal é melhor do que não pagar nada. Além de ofertas ruins de pagamento recebo ofertas para escrever sem ganhar nada. Uns alegam que escrevendo na revista deles eu teria bastante divulgação ou que eu poderia colocar meu site ou blog para que mais gente conhecesse. Essa é uma das justificativas mais impressionantes que ouço e que normalmente vêm de editores de outros Estados. Aqui em São Paulo, raramente alguém pede para você trabalhar de graça, é sempre mal pago, mas sempre tem algum dinheiro envolvido. Mas de graça só mesmo dos Estados mais afastados. E estranhamente essas revistas são sempre ligadas à empresas grandes. Como pode uma grande empresa esperar que alguém trabalhe para eles de graça ? Fico imaginando se a mentalidade de trabalho escravo não permeia essas empresas que financiam essas revistas.


Houve uma época que eu me arrependia de não ter estudado jornalismo. Mas hoje percebo que fiz a escolha certa. Ser arquiteto é muito mais respeitado do que ser jornalista, pelo menos ninguém me pede para fazer um projeto de graça. No máximo que ouvi até hoje foi de uma mulher com pouco cérebro dizer: Mas tudo isso só por um desenhinho ?




* Duilio Ferronato é arquiteto e bloqueiro do UOL e suas postagens podem ser acessadas no endereço http://blogdoduilio.folha.blog.uol.com.br/

JORNALISTA (JORNALISMO) É ...



Domingos de Oliveira (cineasta, dramaturgo e diretor):


Arauto que anuncia um mundo melhor?


Francisco Sérgio Fonseca (supervisor de estacionamento):


“... a informação correta e verídica dos fatos, garantindo credibilidade perante o público. Eu acho uma função importantíssima, não saio de casa sem ler o jornal.”

OS TALIBÃNS DA UNIBAN


Será que, passadas todas as revoluções comportamentais, voltamos, lentamente, aos pudores, às vergonhas e às masmorras da idade média? Não faço esta indagação me referindo a regimes fechados nem ditaduras obscurantistas do Oriente, mas de uma universidade na opulenta São Bernardo do Campo, onde uma aluna de universidade poderia ter morrido linchada por usar minissaia.
O episódio com a aluna Geisy Arruda, aluna da Universidade Bandeirantes (UNIBAN) mostra um momento de loucura coletiva por parte de jovens que se embrenharam em uma galhofada estudantil sem medir as consequências. O interessante do fato é que a agredida se transformou em heroína e os galhofeiros retrógados se transformaram em chacota nacional.

Mais interessante ainda foi o fato do Magnífico Reitor da Universidade Bandeirante de São Paulo. Dr. Heitor Pinto Filho (homem por trás da decisão de expulsar Geisy e depois voltar atrás) aparecer em entrevistas com uma gravata no mesmo tom rosa do microvestido que levou sua pupila a correr risco de vida diante de uma horda de baluartes da moralidade mesozóica.

Ao realizar um exercício de ficção imagino o reitor com sua gravata "rosinha" andando pelos corredores de suas salas de aula e sendo seguido por seus discípulos ensandecidos gritando:
-"Gravata rosa é coisa de veado."
- "Veado solta em plena faculdade."
-"Nóis paga caro pra se formar, não para ver sem-vergonhice (sic)."
Acho que minha imaginação foi longe demais com a gravata rosa do reitor, afinal, hoje estou usando uma camisa pólo rosinha e nem por isto sou florzinha, e caso eu fosse, que mau teria?
Não dá para acreditar que todos os corajosos atos feministas pela liberação do espartilho, no início dos anos 1900 não tenha surtido efeitos em 2009 num ambiente universitário, onde a explícita manifestação de preconceito é sinal de que algo vai mal num campus que deveria estar aberto ao debate de ideias e avesso ao embate ditado por intolerância estética.
Deste episódio é preciso que a instituição e os trogloditas que atacaram a jovem tirem uma lição básica: educação pressupõe não só acesso ao saber, mas igualmente respeito ao próximo.


NA UNB

Alunos da Universidade de Brasília, parcialmente ou inteiramente nus, assumiram o espírito universitário e, no dia 11, participaram de um ato em apoio a Geisy Arruda, onde foram recebidos pelo reitor José Geraldo de Souza Júnior, para entregar-lhe uma carta de protesto contra a expulsão da colega universitária.

NA PLAYBOY

A Playboy não perdeu tempo e está em conversa com Geisy e outras universitárias da UNIBAN para realizar um ensaio coletivo com as alunas mais "gostosonas". Ensaios coletivos diz a redação brasileira, são uma tradição na revista editada nos Estados Unidos. Detalhe importante: se o ensaio for mesmo publicado, Geisy vai agradecer a seus agressores, pois pela seção de fotos deve receber uma quantia por um dia clics, que vários deles levarão anos suando a camisa para ganhar.

ECOLOGIA

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A VOLTA DO DIPLOMA DE JORNALISTA



A aprovoção pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara de Deputados, na manhã desta quarta-feira, a proposta de emenda constitucional (PEC) que restabelece a exigência de graduação de nível superior para o exercício da profissão de jornalista ainda vai demorar um pouco ser efetivada devido a votações e tramitações internas, mas já é um passo enorme para regulamentar algo que nunca deveria ter sido questionado.


A aprovação da PEC na CCJ significa um atestado de constitucionalidade da exigência do diploma, e uma vitória da liberdade de expressão e da democracia. Ao contrário do que o Presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes e sua “turma” pensa, a luta de defesa da regulamentação da profissão de jornalista é uma demonstração de que não há contradição entre a formação profissional e a liberdade de expressão e opinião".


O "equívoco conceitual" do STF colocou num mesmo patamar o cerceamento da liberdade de expressão e o exercício da atividade profissional de jornalista, desconhecendo o trabalho de mediador da sociedade exercido pelo profissional das redações. Para quem entende de comunicação sabe que um advogado é diferente de um rábula e que um cronista é diferente de um jornalista. Em todo país os jornais há espaço para que colaboradores não-jornalistas expressem sua opinião, e isto é salutar a democracia.


Que a volta da exigência do diploma de jornalista volte o mais rápido possível.