A calcinha extraviada e incinerada





Alguém perdeu uma calcinha na Câmara dos Deputados no último dia 15 de maio, por volta das 19 horas, durante a votação de um projeto sobre crimes cibernéticos. Na verdade uma calçola, devida as suas proporções, vermelha e branca.

Apesar da qualidade da peça íntima, a calçola em nada se parece com as usadas por moças de programetes que circulam pelas dependências da Câmara, a fim de faturar um capilé de algum deputado no atraso.

Em elucubrações feitas nos bochichos dos gabinetes, a versão que ganha maior credibilidade, é que algum deputado, saiu às pressas de uma rápida fornicada ilícita, esquecendo-se que havia colocado de mau jeito, a peça íntima da donzela no bolso do seu terno. Na sala cheia e com abraços sempre calorosos, comuns entre políticos, mesmo quando feito entre adversários, a prova do crime provavelmente despencou do paletó.

Sem saber que deixara cair para trás o fetiche, o descuidado parlamentar foi para o meio do plenário, sem se preocupar.

A operação de retirada ou acobertamento do fato não foi algo fácil. Um dos seguranças, vendo a calcinha estendida na entrada do plenário, sem despertar a atenção das pessoas que se amontoam no local, deu chutinhos discretos, empurrando a lingerie para o lado da lixeira.

Um aviso de alerta foi disparado entre os seguranças para que o fato fosse comunicado a um assessor do presidente da Câmara Marco Maia (PT-RS). Preocupado com a possibilidade do objeto e a cena serem flagrados por algum jornalista desses programas de TV que colocam personalidades em saias justas, o assessor a recolheu e escondeu em seu próprio bolso.

Devidamente ocultada, posteriormente a peça foi analisada pela equipe de segurança que chegou a duas conclusões: a peça tinha sido usada há pouco tempo devido ao perfume que ainda exalava e não pertencia a uma sílfide, por ser um calçolão.

Como bons profissionais, os agentes de segurança da Câmara, recolheram a peça do assessor e a encaminhou ao setor de Achados e Perdidos. No final da tarde de ontem, como não havia sido requerida por nenhuma senhora ou senhorita, muito menos por nenhum parlamentar, a calçola deve o triste fim: foi incinerada.

Como bem disse o poeta argentino Jorge Luis Borges: “o fogo purifica a tudo”.

Nenhum comentário: